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Retrato deste país de fantasmas



Alice é um filme de ausências. E não apenas devido à temática da história.

Em Alice o plano não tem profundidade de campo, a vida não tem cor, as ruas não têm reconhecimento, as pessoas não têm corporeidade. É um filme povoado de fantasmas, porque também o é assim o nosso país. Em Alice corpos anónimos percorrem a atmosfera tão cinzenta como as suas próprias vidas. E estão sós, tão sós. Tal como a personagem masculina, mas para ele é a rotina que o faz sobreviver. Ele que procura um fantasma no meio de tantos outros.
Alice chega mesmo a não ter uma história. Mas é um filme de imagens tão assustadoras como belas que colam-se a nós como um vício. E é nesse embalo de angústia que nos deixamos levar tão encantados como anestesiados.
Alice é um filme triste. Muito triste. Mas pelo meio, o realizador parece não querer esquecer essa trágico-comédia na qual deveríamos ser especialistas e aproveita muito bem o reconhecido talento comediante de Nuno Lopes e Miguel Guilherme.

Mas há em Alice duas fortes presenças: a do elenco e a duma cidade que de vez em quando nos obriga a reconhecer que é parte indispensável da nossa vida. Porque Alice é nosso, Alice somos nós.