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Já Nada Ferve

Há quanto tempo falamos
Sem que fiquem senão esbatidas desatenções
Às vezes pergunto-me
Quanto tempo podemos aguentar
Este conviver surdo em que se movem os serões

O chá ferve ao lume
Tentativa inútil de aquecer
O que gelado ficou
Já não resta nada mais do que as cinzas
E essas algum sopro mais forte espalhou

Pela janela a lua ilumina a rua vazia
De uma noite que cedo se vai
E nesse brilho com que vem o dia
Talvez encontre alguma alegria
Para tentar, andar, sair por aí

E se encontrar alguém
Eu vou saber quem tem
Algo de novo para contar
Algo de sempre que esteja a dar

Volto e fecho a porta
Sentado já estás no lugar habitual
Atiro para o ar alguma trivialidade
Ainda mais curta vida terá
Que o que resta da nossa intimidade


No almoço entre silêncios
Espero ter a vontade
Para tudo resolver
E mesmo que não te agrade
Desta nada fica por dizer

Pela janela entra a tarde
E as sombras que começam a nascer
No meio um raio de uma luz alegre
Traça a definida linha da mudança
Que ultrapassei com um passo de dança

E se encontrar alguém
Vou ser eu quem tem
Algo de novo para contar
Algo de sempre que deixou de dar